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19/06/2009
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Gentileza e Elegância
Vivemos num mundo onde a informação deixou de ser privilégio de poucos e passou a ser um domínio público, desde as bancas abarrotadas de revistas, livros e jornais até os milhares de sites na internet. Mesmo assim, com tanta informação disponível, está cada dia mais difícil de ver alguém demonstrando gentileza e elegância. Esses comportamentos vão além de se saber como se comportar numa mesa e usar os talheres. Gentileza e elegância são coisas muito difíceis de ser ensinados, talvez seja por isso que está cada dia mais raro de se ver esses comportamentos.
Nesse mundo capitalista e consumista, todos andam com pressa e ninguém tem mais tempo para a cordialidade e a polidez. Pesquisas revelam que a paciência do ser humano está no limite de 17 segundos. Quer provar se isso é verdade, observa então a fila do elevador. E no semáforo? O sinal nem bem abriu, e um motorista atrás de você já buzina. Sem falar nos “buzinaços” dos engarrafamentos. Repare nos “furões” de fila em supermercados, nos caixas de bancos e etc., se você é o segundo da fila e abre-se um novo caixa, não é você que deveria ser o próximo a ser atendido? Mas não! Vem logo um “experto” que está no final da fila e entra na vez, e ainda fica te olhando com um olhar de deboche, - haja paciência! Dia desses esperei uma vaga no estacionamento até sair o carro, mas veio uma senhora e entrou na minha frente. O pobre do frentista até que foi falar com ela, mas ela disse que não iria tirar o carro, e queria ver quem ia fazê-la sair, – é de tirar o fôlego, não?
Participei de uma entrevista de seleção onde se apresentaram dois candidatos, um era um pouco mais capacitado nas qualificações técnicas, e o outro não era tão bom assim. O primeiro era um sujeito meio arrogante, e o segundo mais educado e humilde. É claro que a minha opção foi pela contratação do segundo candidato. O que é mais difícil ensinar a um novo funcionário: 1) Alguns procedimentos técnicos sobre a sua nova função, ou; 2) Ensiná-lo como ele deve se comportar com mais gentileza e elegância?
Sabemos que a escola falhou. Mas, de quem é a principal responsabilidade de educar os filhos? Há algum tempo atrás, o aluno mal educado era colocado de castigo no canto da parede ajoelhado em cima de caroços de milho. E isso resolvia! E se não resolvesse ele era expulso da escola e deixava de ser um mau exemplo para os outros. Mas hoje, se a professora “der um espiro” na sala de aula, ela vai ter que responder por queixas de maus tratos e etc. Recentemente noticiou-se, que no Nordeste, um aluno de 9 anos de idade ameaçou a sua professora com uma faca de cozinha, e acreditem, a escola não pôde expulsar o aluno porque a legislação não permite.
Mas a família também falhou. Hoje pai e mãe trabalham fora, e talvez essa ausência tenha causado um sentimento de “dívida” para com os filhos, e para “recompensar”, a educação ficou menos rígida e mais permissiva. Para educar nossos filhos, temos que travar uma luta 24 horas contra o mundo. A influência do “mal” entra em nossas casas trazendo “lixo” pela TV, pelo celular e internet, está nos shoppings, nas revistas, na escola, e até na igreja.
A empresa, muitas das vezes, é a última esperança de rearranjo social. Por isso, as empresas não só tem que treinar e capacitar tecnicamente seus colaboradores, como também educar, e mais, tem que ensinar-lhes boas maneiras. Somente assim a liderança terá uma equipe formada por pessoas capazes de encantar os seus clientes. Tem uma frase que diz: “coloque o seu pessoal em primeiro lugar e veja como eles darão o máximo de si”.
Toda essa falta de gentileza e elegância está alcançando um novo “palco”, – o das relações comerciais –, onde essas indelicadezas e deselegâncias são representadas em forma de agressões verbais, e até físicas. Confesso e assumo a mea culpa de que algumas vezes já vesti os “trajes” desse “personagem”, que se apresenta disfarçado no “papel de cliente”. Sei que por detrás dessa “máscara” tem homens e mulheres, que podem estar passando por algum problema pessoal ou financeiro; mas, também sei que isso não nos dá o direito de sairmos por ai humilhando e pisando nas pessoas que nos atendem. Esse “personagem” é um egocêntrico, que pensa que tudo e todos no mundo existem para satisfazer as suas vontades. Ele sabe que tem o poder representado pelo dinheiro ou pelo crédito, e por isso ele é muito exigente. Lembro-me, na época do apagão aéreo, dos telejornais mostrando imagens de um cliente dando um soco na “cara” duma atendente num aeroporto. As marcas dessa agressão estão gravadas no íntimo dessa moça e irá acompanhá-la por toda a sua vida. Acredito que a evolução social do direito, em breve vai criar um instituto que chamo de: reparação de danos por assédio moral do cliente.
Pessoas gentis têm uma gentileza e uma elegância desobrigada de tudo e de todos. São abundantes no elogiar e econômicas no criticar. Escutam mais e falam menos, e quando falam o seu falar não é superior. Não perdem tempo com fofocas e com conversas e assuntos constrangedores. Tem um estilo próprio e não perdem tempo falando só de dinheiro, bens materiais ou sobrenome. São pontuais, ou ligam avisando que vão se atrasar. São pessoas que cumprem com o que prometeram. A elegância está no seu gesto – elas pedem desculpas com muita freqüência! Sabem que a educação é uma engrenagem que enferruja por falta de uso, e sabem que colhemos exatamente aquilo que semeamos. Sinceridade e amor incondicional são suas principais características.
Aproveite o final de semana para reunir a sua família, almocem juntos, orem juntos. Tire um tempo só para você e para aqueles que são importantes para você. Procure fazer algum tipo de lazer em família. Pratique o amor incondicional!
Fonte: O Cliente em Segundo Lugar (Hal F. Rosenbluth. Diane Mcferrin Peters). Rede Globo.
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