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05/10/2009
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Feira das Vaidades
Todos nós nascemos príncipes e princesas, mas na medida em que vamos crescendo nos tornarmos “sapos”, e um dos defeitos mais nocivos que esse desvio do caráter pode causar a uma pessoa é o vício da vaidade. Sei que este é um assunto muito delicado, mas devido ao poder de destruição da vaidade, me arrisco a discuti-lo, para assim podermos melhor compreendê-la e nos livrarmos dos seus efeitos nefastos. É claro que ninguém nasce vaidoso, nós nos tornamos vaidosos, e isso tem muito a ver com as pessoas e o meio no qual vivemos. As influências que as mídias exercem sobre as pessoas hoje em dia são muito poderosas, e talvez seja por isso que se diz que: “a vida imita o vídeo”. Os marqueteiros são profissionais que gastam grande parte do seu tempo estudando as pessoas e os seus comportamentos, como no filme “Obrigado por fumar”, onde o antagonista convence uma platéia inteira de que o fumo é uma coisa positiva para a sociedade. Você está vivendo a vida de quem? Como fica a casa quando a festa acaba? Quando as pessoas vão embora, a porta se fecha, as luzes se apagam e o barulho cessa?! Não se permita imitar ninguém. Tome cuidado com as pessoas que tem um forte poder de persuasão. Cuidado com as más influências. Não queira ser uma cópia, seja você mesmo!
O “Treinamento em Ética” nos remete ao “Caminho da Fala Correta”, e este por sua vez, nos orienta a não falarmos mal de ninguém, exceto se a pessoa estiver presente – para que ela possa ter a oportunidade de se defender, acredito! Tenho buscado praticar esse exercício e me policiado a cada dia mais, no sentido de evitar falar sobre a personalidade ou comportamentos negativos das pessoas. O bom senso nos orienta que devemos ser cautelosos, até mesmo ao fazermos um elogio pessoalmente, para que não tenha a conotação de uma bajulação – pois isso é um grande mal. Já a inteligência emocional nos diz que ao fazermos uma crítica, devemos sempre fazê-la pessoalmente e em particular, apoiando e dando oportunidade de crescimento pessoal ao outro. É fácil de perceber, como tanta gente perde tanto tempo falando mal dos outros. Na pior das hipóteses, ficar gastando o nosso precioso tempo fazendo comentários de uma pessoa da qual não gostamos, é dar muito valor para essa pessoa, e já que essa pessoa é tão desprezível, – dispense também os seus comentários! Aprendi que tanto os elogios, quanto as críticas, são mais eficazes quando feitos em particular!
O Livro de Eclesiastes contém doze capítulos que tratam da vaidade e dos seus males. A vaidade é um subproduto de um veneno maior, chamado apego ou desejo. E, quando o desejo é o enriquecimento rápido, vamos descobrir mais adiante que não há ninguém que tenha colocado nisso a sua inteligência e que esteja satisfeito, pois sempre haverá alguém que tem mais do que você. Uma vaidade pode ser entendida como um simples desejo de se dar uma melhorada no visual, na aparência do corpo, ou de se trocar o carro por um modelo mais novo. Pode ser também o desejo da pessoa pela erudição, ou de andar sempre com as roupas da moda, ou de freqüentar os ambientes da moda. Pode ser aquela viagem, aquela casa, aquele restaurante, aquela TV, aquele perfume e etc. A pessoa vaidosa gosta de aparecer, de mostrar ostentação, de chamar para si todas as atenções e de se mostrar superior. No fim, o desfecho da vaidade é uma ganância desenfreada, que vai dar em negócios desfeitos, relacionamentos acabados e pessoas destruídas. Perdas, perdas e perdas, tudo por causa da vaidade.
Se a vaidade fosse uma árvore, as suas raízes seriam o orgulho, a insatisfação e a inveja, e os frutos, seriam a ganância. Devemos compreender que a vaidade é o inicio de todo o mal, e que a ganância é o seu fim. Vamos entender a sua estrutura:
1) Vaidade: Muitas vezes, tudo começa com uma pequena vaidade, ou um simples capricho; e estes são os vírus que fazem o contágio.
2 ) Orgulho: Da vaidade, para o próximo passo – chamado de orgulho – é apenas um pulo. Depois que a vaidade contagia a pessoa, o orgulho a envolve e a cega. E o pior tipo de orgulhoso, nem sempre é necessariamente, uma pessoa rica financeiramente.
3) Insatisfação: Essa nova pessoa, cheia de si então – vaidosa e orgulhosa –, continua a sua escalada até perceber que não está mais conseguindo manter-se assim o tempo todo. Nesse momento, é a vez da insatisfação, já que nada consegue deixar essa pessoa feliz, porque ela busca a realização em tudo que está no exterior. A insatisfação nasce, ou da comparação que fazemos com os outros, ou da nossa acomodação com uma situação. Por exemplo: se os meus negócios estão indo mal, e os meus concorrentes também estão mal, então está tudo bem! Já nos relacionamentos amorosos, achamos que os outros são sempre mais felizes do que nós, pura insensatez: não existem relacionamentos perfeitos. A pergunta que se faz é: Quais são os seus planos para os seus relacionamentos pessoais e profissionais? Quais são as suas metas? A insatisfação acontece porque você não tem as suas metas definidas, e está se deixando guiar pelas metas dos outros.
4) Inveja: Agora vaidoso, orgulho e insatisfeito essa pessoa começa a invejar os outros. No sentimento de inveja, ao contrário que possa parecer, a pessoa não quer para si aquilo que o outro tem. O que ela não quer, é que a pessoa invejada tenha aquilo que de direito lhe pertence. Terrível, não é?!
5) Ganância: E finalmente, está criado um novo ganancioso. Aquela pessoa que sempre quer ter, ter e ter, – e não há quem suporte esse tipo de sujeito.
De que você necessita para ter uma vida feliz? Precisa apenas estar em paz com Deus. Estar em paz consigo mesmo. Ter uma família que lhe apóia e ama. Ter alguém para amar. Ter saúde. Ter um emprego digno. Ter algum lazer e amigos verdadeiros. Mas, como acabar com a vaidade e a ganância? Qual é a fórmula para se neutralizar a inveja? O meio para se libertar disso tudo é levar uma vida mais compassiva (com compaixão), cheia de virtudes, sabedoria e oração.
Fonte: A Bíblia Sagrada. O Despertar do Buda Interior (Lama Surya Das).
Inteligência Emocional (Daniel Goleman).
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